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“Corpos em Trânsito” e “Valongo, Cais dos Escravos”: lançamento conjunto no Museu do Amanhã

No dia 6 de novembro, o Museu do Amanhã recebe o lançamento conjunto de dois livros sobre a história do tráfico negreiro no porto do Rio de Janeiro: Corpos em Trânsito: Visitas de Saúde em Navios Negreiros (1791–1830), de João Carlos Nara Jr., e Valongo, cais dos escravos, de Carlos Eugênio Líbano Soares. O primeiro livro será distribuído gratuitamente em formato físico, e o último em formato digital.

O evento é promovido pelo Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), em parceria com o Ministério da Cultura (Termo de Fomento nº 978372), pelo Selo IPN.

Corpos em Trânsito reconstitui as visitas de Saúde aos navios negreiros, mostrando  como ela funcionava menos como avaliação médica e mais como autorização comercial revestida de linguagem sanitária.

A programação, das 13h às 17h30, abre com credenciamento e entrega dos exemplares, seguida de apresentação institucional dos dois lançamentos. O encontro fecha com degustação de comida afro-brasileira preparada pela Chef Tia Mara e sessão de autógrafos.

Exemplares gratuitos de Corpos em Trânsito serão distribuídos aos participantes que fizerem check-in a partir das 13h, um por CPF, enquanto durarem os estoques. A inscrição, gratuita, é feita pelo Sympla.

“Silêncios que Gritam” na 5ª Conferência de Arquitetura & Urbanismo

No dia 1º de outubro passado, a V Conferência Estadual de Arquitetura e Urbanismo, promovida pelo CAU/RJ no Palácio Capanema, reuniu arquitetos para discutir o papel das políticas públicas na transformação das cidades. Entre as atividades do evento, esteve a inauguração de uma nova exposição de obras de Candido Portinari.

Nesse contexto, João Carlos Nara Jr. apresentou aos colegas arquitetos presentes  o livro Silêncios que Gritam, obra sobre memória e escravidão no Rio de Janeiro. Também presenteou a arquiteta Elizabeth de Portzamparc com um exemplar do livro.

Na plateia, o arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti acompanhou a apresentação. Em seguida, Cavalcanti apresentou a sua proposta de ler o Rio de Janeiro como cidade machadiana — tese que desenvolve em Machado de Assis: caminhos de suas moradias no Rio de Janeiro (Lacre, 2026), no qual reconstitui o itinerário residencial do escritor pela cidade e, a partir dele, uma cartografia urbana da obra de Machado de Assis.

Memória, patrimônio e presença africana no Rio de Janeiro

O encontro “História do Rio de Janeiro: cultura e cidade” constitui uma oportunidade relevante para o aprofundamento de temas ligados à formação histórica, social e espacial da cidade do Rio de Janeiro, reunindo pesquisadores que investigam diferentes dimensões do passado urbano carioca.

No terceiro dia do evento, terei a satisfação de apresentar uma comunicação dedicada ao estudo do tráfico escravagista na antiga freguesia de Santa Rita, espaço central para a compreensão das dinâmicas econômicas, sociais e culturais do período colonial e imperial. A freguesia, que englobava o porto do Rio de Janeiro colonial, desempenhou papel significativo na recepção, a chegada, triagem sanitária, fiscalização aduaneira e circulação de cativos africanos.

A análise proposta busca integrar perspectivas da história da cura e arqueologia urbana, destacando como os vestígios materiais, os registros documentais e as configurações espaciais permitem reconstituir aspectos da experiência escravista nesse território. Ao mesmo tempo, pretende refletir sobre os modos pelos quais essas memórias permanecem inscritas na paisagem contemporânea, dialogando com debates atuais sobre patrimônio, memória e justiça.

Convido os interessados a acompanharem o evento e a participarem das discussões, que certamente contribuirão para o avanço dos estudos sobre a história do Rio de Janeiro e suas múltiplas camadas de significado.

Realizado em junho de 2026, das 14h às 17h. Local: Avenida Augusto Severo, 8, 12º andar – Sala Pedro Calmon (Edifício do IHGB).

CAU debate a Pequena África

Em celebração ao Dia da Consciência Negra, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ) realizará, no dia 19 de novembro de 2025, às 14h, o “CAU/RJ e Consciência Negra”, um evento inédito dedicado à valorização da memória afro-brasileira na formação das cidades. A atividade, que acontece na sede do Conselho, tem como tema central “A Pequena África e o Cais do Valongo: testemunhos materiais históricos da diáspora africana no Brasil” e propõe uma reflexão sobre o papel da arquitetura e do urbanismo na preservação e na valorização dos espaços de memória, fundamentais para a construção da identidade brasileira.

O encontro reunirá palestrantes de destaque, entre eles: o Secretário Municipal de Diversidade e Direitos Humanos, Edson Santos; a presidente do Instituto Pretos Novos, Merced Guimarães dos Anjos, o professor e diretor do Instituto Pretos Novos, Cláudio Honorato, o arquiteto e urbanista, autor da trilogia “Cemitério dos Pretos Novos do Valongo – Uma Jornada Impactante pela História da Escravidão no Brasil”, João Carlos Nara, e Leonardo Campos, Gerente do Iniciativa Valongo, do BNDES.

A iniciativa marca um passo importante do CAU/RJ na promoção de um urbanismo comprometido com a diversidade, a memória e a justiça social, reforçando a importância de reconhecer o passado para construir cidades mais humanas e igualitárias.

Para garantir seu ingresso gratuito, acesse o link:
https://www.sympla.com.br/evento/caurj-e-consciencia-negra/3201712

Fórum de Discussões Dom Vital

O Fórum de Discussões Dom Vital abordará o tema de como a Igreja lidou com a escravidão. O Fórum é um espaço de estudo, aderente ao Magistério da Igreja, e de debate construtivo, aberto às conquistas científicas contemporâneas.

A recente publicação de Silêncios que Gritam ensejou o próximo tema sobre memória, responsabilidade e reparação, cujo encontro ocorrerá no dia 9 de outubro, das 18h30 `às 20h. Entrada franca.

Divulgando “Silêncios que Gritam”

Após o lançamento da 2ª edição de Silêncios que Gritam no Museu do Amanhã, durante o Seminário Travessias, ocorrido a 11 de agosto passado, novas apresentações do livro serão realizadas.

A próxima será dia 16 de setembro, terça-feira, às 15h.

Museu Convida | Aula Pública
Valongo: Ecos da Violência Urbana nos Registros de Óbito dos Pretos Novos

Museus são espaços de memória, pesquisa, cidadania, sociabilidade e de educação não formal. Têm em sua função social a propagação de cultura e conhecimento, e um meio que pode ser utilizado para tal é a Educação, sendo esta capaz de alargar horizontes e transformar realidades.

O Museu da Justiça, com o intuito de cumprir tal função, continua, neste mês, uma série de aulas públicas com temáticas variadas que contribuirão para o aprendizado de estudantes e o público em geral. Nesta sétima edição, João Carlos Nara Jr. abordará o tema “Valongo: Ecos da Violência Urbana nos Registros de Óbito dos Pretos Novos”.

Os obituários do Cemitério de Pretos Novos do Valongo, trazidos à lume no livro “Silêncios que Gritam”, revelam a violência urbana no Rio de Janeiro do século XIX ao mencionar outros marginalizados que apareceram afogados, assassinados ou abandonados no mato ou na praia, manifestando um cenário de sofrimento e desamparo. A presença do escrivão do crime nos registros evidencia uma história esquecida, mas que ecoa ainda hoje.

Com capacidade para 60 pessoas, para participar presencialmente é necessário realizar inscrição no link https://is.gd/inscricao11. A aula será transmitida na plataforma Microsoft Teams. Para assistir a transmissão não há necessidade de inscrição prévia, basta clicar no link https://is.gd/AulaPublica7.

Será concedida declaração de participação para as pessoas que se inscreverem e optarem, no ato da inscrição, pelo recebimento. A emissão da declaração está condicionada à assinatura da lista de presença no dia do evento. O formato da lista, física ou virtual, será de acordo com a modalidade escolhida.

Museu da Justiça do Rio de Janeiro
Edifício Des. Caetano Pinto de Miranda Montenegro
Sala Multiuso
Rua Dom Manuel, 29, térreo – Centro, Rio de Janeiro
Entrada Franca | Capacidade: 60 pessoas
Informações: museu.sepep@tjrj.jus.br
Classificação indicativa: livre

Museu da Justiça
https://www.tjrj.jus.br/web/museu

João Alves da Silva Porto: do tráfico legal ao contrabando

João Alves da Silva Porto exemplifica a trajetória dos grandes traficantes brasileiros que transformaram riqueza escravista em poder político e econômico duradouro. Seus 68 defuntos registrados nos dois obituários remanescentes do Cemitério de Pretos Novos do Valongo, todos marcados com o ferrete em brasa na carne com um P dentro de losango, revelam apenas uma fração das operações de quem se tornou o quarto maior comerciante de escravos do Rio de Janeiro.

Consolidação no tráfico legal (1821-1830)

Porto obteve concessão real de 30 braças na Ilha das Cobras em janeiro de 1821, intermediada pelo Conde dos Arcos, para construir armazéns comerciais com uso gratuito pela Armada Real. Esta permissão oficial demonstra como grandes traficantes integravam-se às estruturas estatais.

Em 1823, contribuiu com 200$000 para o Império nascente, consolidando seu alinhamento político. Até 1830, transportou 8.303 africanos em dez navios da África Oriental, operando embarcações próprias como a galera Viscondessa de Rio Seco, tripulada por escravos seus.

O caso dos cativos marinheiros

Um episódio revelador ocorreu em 1823: seus cativos tripulantes Francisco Joaquim, José Angola, Domingos Preto, José Antônio e Paulo Fernandes foram capturados pela corveta pirata Heroína, escaparam durante tempestade e buscaram refúgio na fragata portuguesa Pérola. Mas João Alves da Silva Porto queria reavê-los.

Após jurarem a Constituição portuguesa, solicitaram às Cortes reconhecimento como cidadãos livres, contestando a propriedade de Porto. O despacho de janeiro de 1823 declarou que o caso “não pertence às Cortes”, deixando incerto o destino destes homens.

Transição para o tráfico ilegal (pós-1830)

Enquanto muitos traficantes migraram para investimentos imobiliários após 1830, com a proibição do tráfico, Porto optou pela continuidade ilegal. Estabeleceu infraestrutura sofisticada no litoral norte paulista, onde sua fazenda Lagoinha, na fronteira Ubatuba-São Sebastião, tornou-se importante ponto de desembarque clandestino.

A propriedade incluía espaço subterrâneo para ocultar africanos durante fiscalizações. Esta rede contribuiu para o desembarque de aproximadamente 38 mil africanos ilegalmente no litoral paulista entre 1830-1850, demonstrando como o fim oficial do tráfico apenas reorganizou suas estruturas operacionais.

A trajetória de Porto ilustra como grandes traficantes converteram capital comercial em influência política duradoura, transitando entre legalidade e ilegalidade conforme conveniências econômicas. Sua capacidade de adaptar-se às mudanças legais — mantendo operações através de infraestrutura clandestina — revela a persistência das redes escravistas muito além das proibições formais, moldando profundamente a formação social e econômica do Império brasileiro.

 

Como foi o lançamento da Trilogia do Valongo no IPN

O Valongo, localizado no coração do Rio de Janeiro do século XIX, foi o cenário de um dos capítulos mais sombrios e menos discutidos da história brasileira: o destino final de milhares de africanos escravizados que chegavam à América. Recentemente, uma nova trilogia lança luz sobre essa história, oferecendo um olhar inédito e profundo sobre o tráfico negreiro e seus impactos humanos.

Financiados por uma emenda parlamentar do ex-deputado David Miranda (in memoriam), esses três volumes formam um conjunto poderoso que nos convida a encarar de frente um dos períodos mais duros de nosso passado. O primeiro livro já foi publicado, e o segundo está prestes a sair do prelo, marcando um momento significativo para a preservação e compreensão de nossa história.

Estiveram presentes ao lançamento inúmeras personalidades, pesquisadores e professores, como Paul Lovejoy (professor canadense, fundador do Instituto Harriet Tubman), Cláudio Honorato, Julio Pereira, Mônica Sanches, João Baptista Pinto (proprietário da Editora Letra Capital), Humberto Adami (presidente da Comissão da Verdade da Escravidão da OAB), Carlos Abreu (vice-presidente do CAU/RJ), o procurador federal Sergio Suiama e o deputado federal Tarcísio Mota, entre outros.

A Morte no Valongo: O primeiro volume da trilogia é um fac-símile dos registros de óbitos da Freguesia de Santa Rita no Valongo, cobrindo os anos de 1824 a 1830. Esses documentos oferecem um testemunho silencioso, mas impactante, das vidas perdidas logo após a chegada ao Brasil. Cada entrada no registro representa uma história interrompida, um sonho desfeito, uma vida roubada pela brutalidade do tráfico. O livro se inicia com um texto contextual sobre o complexo escravagista.

O Cais e o Cemitério: O segundo volume apresenta os registros dos últimos anos do tráfico a norte do Equador, abrangendo o período de 1812 a 1818. Este livro também se abre com uma contextualização histórica, focando nas mudanças políticas e sociais que o Rio de Janeiro experimentou desde a chegada da família real portuguesa até a Independência do Brasil.

Silêncios que Gritam: O terceiro e último volume da trilogia vai além da mera reprodução dos registros. Ele oferece uma transcrição completa e uma análise detalhada de todos os óbitos registrados no Valongo. Esta obra dá voz aos silenciados, interpretando os dados para revelar padrões, tendências e histórias individuais que os números frios, por si só, não conseguem contar.

Juntos, esses três volumes formam um tríptico poderoso que não apenas documenta o passado, mas também nos desafia a refletir sobre o legado da escravidão em nossa sociedade atual. Esta trilogia representa um marco importante na historiografia do tráfico negreiro no Brasil e contribui significativamente para o campo do patrimônio cultural fluminense.

Lançamento de Silêncios que Gritam

16 de maio, no Instituto Pretos Novos, teremos o Sarau Pretos Novos com Oficina Gastronômica Afro-brasileira! Nesse dia será lançado o tão esperado livro que analisa os óbitos do Cemitério do Valongo.

Caso não possa participar, tudo bem: o livro já tem uma segunda edição, que será lançada na Bienal do Rio de Janeiro.

Confira a programação do dia 16:

17h30 – 18h00: Lançamento do Livro “SILÊNCIOS QUE GRITAM” com João Carlos Nara Jr. (Biblioteca Pretos Novos)

18h00 – 18h30: Abertura da Exposição “GRIOT” de Pedro Vidal (Galeria de Artes Pretos Novos)

18h30 – 19h10: Oficina Gastronômica Afro-brasileira com Claudia Vitalino (Sala de aula Pretos Novos) – Inscrições via Sympla

18h30 – 20h50: Sarau “Raízes e versos: o feminino preto no centro da arte” com Cecília, Juh Gamboa e Quel (Galeria de Artes Pretos Novos)

19h20 – 20h20: Degustação de Culinária Afro-brasileira com Tia Mara (Tia Lucia – Mesão) -Inscrições via Sympla

Venha vivenciar a riqueza da nossa história e cultura através da gastronomia, arte e literatura!

Santa Rita é erigida em Santuário Arquidiocesano

Fonte: https://arqrio.org.br/cardeal-tempesta-cria-o-santuario-santa-rita-no-centro-historico/

Em 22 de março de 2025, a Paróquia Santa Rita foi elevada à condição de santuário arquidiocesano em cerimônia presidida pelo arcebispo metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, o cardeal Orani João Tempesta.

 

ONU Proclama a 2ª Década Internacional de Afrodescendentes (2025-2034)

Em um momento histórico para a luta contra o racismo e a discriminação racial, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou uma resolução que estabelece a Segunda Década Internacional de Afrodescendentes. A iniciativa, que se estenderá de 1º de janeiro de 2025 a 31 de dezembro de 2034, manterá o tema Pessoas Afrodescendentes: Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento.

A resolução A/79/L.25, apresentada por um grupo de países liderado pelo Brasil, representa um compromisso renovado da comunidade internacional em promover os direitos das pessoas afrodescendentes. Entre os copatrocinadores estão Antígua e Barbuda, Bahamas, Bolívia, Burundi, Colômbia, Costa Rica, Jamaica, Santa Lúcia e Estados Unidos.

Construindo sobre o Progresso da Primeira Década

A Primeira Década Internacional (2015-2024) estabeleceu um marco importante ao fornecer um plano de ação abrangente para Estados e sociedade civil. Durante este período, foram alcançados avanços significativos:

  • Mais de 30 países reformularam suas legislações e políticas para combater a discriminação racial
  • Criação do Fórum Permanente de Afrodescendentes em 2021
  • Fortalecimento de jovens lideranças afrodescendentes
  • Maior reconhecimento e celebração da herança e cultura afrodescendentes

Desafios Persistentes e Próximos Passos

Apesar dos progressos alcançados, o Alto Comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, ressalta que uma década não foi suficiente para superar séculos de injustiças. A Segunda Década prevê importantes mecanismos de acompanhamento:

  • Extensão do programa de atividades da Primeira Década
  • Alocação de recursos previsíveis do orçamento regular da ONU
  • Revisão intermediária para avaliar o progresso
  • Avaliação final em um evento internacional de alto nível em 2033

A segunda década oferece uma nova oportunidade para aprofundar os esforços globais no combate ao racismo e na promoção da justiça. Como destacado na resolução, o objetivo é garantir que todas as pessoas afrodescendentes possam desfrutar plenamente dos benefícios do desenvolvimento sustentável e de todos os seus direitos humanos.

Para alcançar mudanças reais e duradouras, será necessário um compromisso contínuo dos Estados-membros, organizações internacionais, sociedade civil e todos os atores relevantes na implementação efetiva das ações previstas para esta Segunda Década Internacional.